17/02/2010

Todo carnaval tem seu fim....




O que você fez de bom no seu carnaval?
Bom... Fui pra Itabirito com amigos de Barão de Cocais e na segunda-feira passei a tarde em Ouro Preto.
Itabirito tem seus trios elétricos que nos fazem andaaaar e andaaaar bastaante!
Ouro preto tem suas ladeiras...! Seu carnaval de rua...
Gente! Muita gente.. Muito sol, muito calor.
Muita badalação. Muita curtição.
E eu ali naquele meio.

Parei um tempo pra observar as pessoas.
Casais... Um quê de paixão no ar.
Pegação.

Grupos. Tribos.
Amigos.

Sorrisos.

Todas as idades.
Crianças, jovens, adultos, e sim, os idosos!
Idosos? Não!
Jovens com uma grande experiência!

Mas não é só isso que eu vi.
Eu vi também as pessoas que estavam lá, trabalhando.
Suando para conseguir seu dinheirinho.

Observei os catadores de lata.
Gente que muitas vezes sobrevive somente com o dinheiro que ganha com este trabalho.
Comecei a olhar como eram tratados.
As pessoas simplesmente jogavam as latinhas de bebida em qualquer lugar.
Sem a mínima educação.
Às vezes com uma lixeira ao lado, ou com um catador por perto.
Eu fazia diferente. Sugurava minha latinha até encontrar um lugar adequado para ela, ou alguém que tivesse o destino certo pra elas (os catadores, portanto). Para esses, eu entregava em suas mãos. As minhas e as que encontrava por perto.
Isso não me custava nada. E eu recebia de volta um sorriso e um "Muito obriagada!"
E apenas sorria também...Com um sonoro: "Não há de quê...!"
Mas pensava comigo: - país injusto! E nosso presidente lamentando a prisão de um ladrão daqueles! Enquanto isso, a nossa realidade é essa aqui...

Olhando mais um pouco, vi crianças brincando.
Fantasiadas!
Fadinhas, bailarinas, super-homens...
Correndo, dançando, soltando bolhas de sabão... Envoltos em sua inocência.
Alheios ao mundo.
Que saudade desta inocência!
Que vontade de fazer parar o tempo para que elas não a percam!

E então no meio de tantas pessoas diferentes e ao mesmo tempo tão parecidas,
eis que visualizo um homem barbudo, com a pele queimada de sol...Trajava uma blusa de frio verde (apesar do sol escaldante) e calça preta e outra blusa mal-amarrada na cintura. Um óculos quebrado com apenas uma lente "protegendo" os olhos do sol. Ou tentando, né?
Um morador de rua.
Dançando distraído entre os transeuntes.
As pessoas o olhavam com olhar de nojo, de superioridade, e se afastavam logo.
Outras, simplesmente o ignoravam. Era como se ele não existisse.
Parou um tempo perto de nós.
Ficou nos analisando.
Não disse nada. Também não dissemos. Apenas o olhamos como ele nos olhou.
Nos olhos.
Antes que ele saísse, ofereci um cigarro e acendi para ele.
Ele deu um sorriso e agradeceu. Saiu feliz, risonho, dançando.
Naquele momento era o que ele queria, o que ele precisava.
Claro que ele precisa de muito mais, mas o pouco que doamos a ele, o deixou feliz.
E isso me fez feliz, me deu uma sensação de ter tocado um pouco na vida dele, por ter doado de mim, um pouco a mais do que ele recebe. Não digo somente do cigarro, mas da atenção.




Continuei observando-o.
Tempo depois, ele se sentou próximo a um grupo de crianças que brincavam com tampinhas de garrafa pet. Brincavam alegres, dispersas.
E ele ali, admirado. Olhos brilhantes.
Sorriso amarelo e grande.

Não era olhar de desejo. Não era olhar de maldade.
Era um olhar de inoscência.

Aquilo me doeu por dentro ao mesmo tempo que me fez sorrir.

Achei lindo.

Outra coisa que sempre observo: você agradece/cumprimenta as pessoas?
Você anda de ônibus, passa por porteiros, ascensoristas de elevadores, garis, vendedores, cozinheiras, garçons, caixas, motoristas, taxistas, bancários, etc.. etc.. etc...
Quantas vezes você olha nos olhos destas pessoas e dirige a elas um bom dia/boa tarde/boa noite? E um muito obrigado (a)?

Pode parecer pouca coisa, mas saiba que não é.
Já senti na pele quando trabalhei em uma loja.
Receber um "boa tarde" que vem acompanhado de um sorriso, alivia tensão.
Traz boas energias.
Quebra o gelo.
Aproxima as pessoas.
E quando se é retribuído, o mesmo acontece a quem o enviou.
É uma troca. Não nos custa nada e ganhamos muito.
Mostra que ninguém é diferente de ninguém.
Somos todos iguais.

Educação nunca é demais.

E por mais que você pense que o que você faz é pouco, não se esqueça que
"O bater de asas de uma borboleta pode provocar uma tsunami."





BeijOs!
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"...Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco?
Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco
Toda escolha é feita por quem acorda já deitado
Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado
E pinta o estandarte de azul
E põe suas estrelas no azul

Pra que mudar?
Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz !"


[Todo carnaval tem seu fim - Los hermanos]

4 comentários:

Desabafando disse...

Que coisa né? Eu procuro tratar a todos com educação mas fiquei tocada com seu post e concordo que basta pouco pra mudar o dia de alguém. Gosto de observar as pessoas tb.

Déia disse...

Oi Rah,

Nossa, esse post é uma aula de cidadania e educação!

É triste como a sociedade vem se comportando, não é?
Valorizando o dinheiro, a beleza, o status e deixando os menos favorecidos nos cantos...maltratam a natureza, os irmãos...

As vezes fico bem desanimada vendo tudo isso acontecendo!
Eu tento ser melhor, tratar todo mundo com respeito...educação...mas não sei se esse mundo tem jeito!

Vamos seguindo, fazendo nossa parte, né?

To feliz por vc ter voltado!

bjs

Mandi disse...

Rah! Que bom que gostou do wire-o, e porfavor fique a vontade para comentar e acrescentar tua opinião. Adorei o teu espaço aqui tb, é sempre bom ter pra onde correr seja do que for que estamos correndo, rs.

Beijinhoo, se cuida.

serpai disse...

Siempre me es gratificante recorrer el mundo de los blogs… y encontrar algunos como el tuyo. También tengo la esperanza que alguna vez pueda verte por el mío, que también se escribe en portugués, sería como compartir esta pasión por escribir que une a tantas personas y en tantos lugares...

Sergio