07/04/2010

"Um pesadelo'


Nesta madrugada, despertei de sobresalto.
pude ouvir a altura de meu coração aos disparos.
inspirei o ar frio e fundo da noite,
a procura de encher o peito de uma vida que me parecia ter abandonado.

Estava ofegante...
Suava frio e o corpo estremecia.
Sonho ruim ou pesadelo (como você achar melhor), é o motivo.

Em meu sonho, me vi ali, estática, pálida e gélida em um caixão.
Alguns rostos conhecidos desesperados, ensopados de lágrimas.
Muitos desconhecidos.

Sussurros.
Lamentos.

"Ela era tão jovem! Tão bonita!"
"Tinha tanta coisa para viver!"
"Descansou..."

E eu ali, em meu sonho, como se estivesse presente em meu próprio velório,
em tentativas inúteis de dizer às pessoas: "Mas o que houve? Eu não preciso descansar agora! Estou aqui!"

E andava por entre os que ali estavam a me "prestigiar" observando seus rostos.
Alguns me atrevi a acariciar... Tentei abraçar...Dar um beijo em suas faces.
Dizer do meu amor.
Mas a voz não saía.
Ou não era ouvida.

Procurei por tantas outras pessoas que eu gostaria que estivessem ali,mas não as encontrei.
Tentei inventar diversos motivos para isso, mas no fundo sabia que aquilo serviria para enganar a mim mesma.
Aquelas pessoas que eu procurava, simplesmente não se importaram.
Talvez passassem por ali, dessem uma olhada, um "tchau", e fossem embora.
E daí uns dias eu não seria nada mais que uma vaga lembrança em suas vidas.

Passado algum tempo, as pessoas se reuniram.
Me aproximei de meus pais e do meu corpo ali, naquele que seria "meu último leito".
Era a hora das ultimas orações.

Feito isso, o cortejo se encaminhou para o lugar onde meu "eu-corpo" seria colocado.
Chovia uma chuva quase que imperceptível, enquanto o sol do fim de tarde iluminava os rostos abatidos.
Flores foram jogadas..
Canções de despedida foram cantadas...
E o desespero tomou conta de algumas pessoas (até de algumas que eu não conhecia).
Aquela seria realmente a ultima vez que me veriam.
Era a despedida real.

Também me desesperei.
Gritei.
Sacudi minha mãe, esbofeteei meu pai, gritei com amigos...
Tudo em vão.
Tentei voltar para o que antes era meu corpo.
Não funcionou.
(seria até engraçado - se não assustasse tanto - se realmente funcionasse).

Eu não poderia morrer daquela forma.
Não havia dito tudo o que queria.
Não havia feito tudo o que gostaria.
Não havia amado o suficiente.
Não sabia nem mesmo o porque!

E então entendi...
Não existe porque.
A morte não avisa. Não espera.
Ela chega. Simplesmente chega.
Nem cedo, nem tarde.
Mas no momento que tem que chegar.
Quando a gente diz que ela chegou cedo, na verdade nós é que deixamos de viver muita coisa e de dizer muita coisa.
E aí, já é tarde.
Para alguns, acredito que ela vem quando estes já terminaram "sua missão".

Percebi que aquela hora era minha hora certa, mas também era um pouco tarde para algumas coisas.
E por isso desabei.
E junto comigo, a chuva.

As pessoas já haviam se despedido e ido para suas casas.
Até mesmo os coveiros já haviam terminado seu trabalho.
Eu estava sozinha, com algumas flores e coroas e uma chuva que caía de um céu agora cinza.
Apesar de ter constatado minha morte, sentia dores.
As dores da alma.
Rasgando meu peito.

Despenquei de joelhos no solo lamacento.
Pedi perdão.
Implorei que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo, e acabasse logo.
Chorei desesperadamente...sussurrando: "Hoje não..por favor..não agora.."

E não sei ao certo o que foi o clarão que vi.
Sei somente que acordei da maneira como descrevi no início desta loucura toda.

Essa coisa toda me assustou bastante,
mas me lembrou o quanto preciso aproveitar o tempo ao lado daqueles que amo,
e prestar mais atenção àqueles que estão a minha volta.
Doar um pouco mais de mim. Um pouco mais de amor.
Dedicar o que puder para fazer a diferença na vida das pessoas.
Por pouco que possa parecer, farei minha parte.
Dizer eu te amo sem medo e sem vergonha.
Me desculpar...
Dizer que sinto saudades...(E que me lembro todos os dias).
Ajudar...
Sorrir...(e chorar tambem. A vida não é feita só de risos!) - e fazer sorrir!
Amar...
Viver.

Sim, eu já faço isso.
Mas talvez algumas coisas não faça com tanta frequencia como gostaria.
E não quero esperar minha hora chegar para perceber que poderia ter feito muito mais.


Como anda vivendo sua vida?

BeijO

2 comentários:

Angel disse...

RaH, em determinado momento cheguei a sentir um calafrio... Que sonho! Aproveitemos a vida ao máximo, então, nos preocupando conosco e com aqueles que nos cercam. Suas conclusões estão certíssimas, e levarei comigo para tentar praticá-las.

Abraços.

Desabafando disse...

Seu relato do pesadelo pareceu tão real! Eu ando procurando sempre fazer o meu melhor e acho que se eu morresse hoje, iria em paz, feliz e com a consciência tranquila por tudo que fiz e vivi. Não que eu queira morrer tá? rsrsrs..estou só respondendo sua pergunta.