19/06/2010

O que você faz de si?




Em uma das aulas de filosofia surgiu uma frase que tive que anotar na hora, pois me chamou muito a atenção.
A frase é a seguinte:
"Qual a sua participação na desordem da qual você se queixa?"

Refletindo então sobre o que esta frase nos diz, observei o quanto muitas vezes reclamamos tanto das nossas vidas e não fazemos nada para mudar o que nos parece incômodo.
Reclamamos, mas nos mantemos no mesmo caminho, agindo da mesma forma.
Há pessoas que vivem por aí dizendo aos 4 ventos que não suportam mais o casamento, que estão infelizes, que o marido/esposa não presta, etc, mas continuam casadas.
Comodismo?
Medo de mudanças?
Se não consegue mudar aquilo que está te fazendo mal, pare de reclamar!

Sartre dizia que o ser humano está condenado a ser livre.
Sendo condenado a ser livre, portanto, é livre para fazer suas escolhas.
Tudo o que faz é uma escolha.
Até mesmo quando decide "não escolher", já está escolhendo.

Então, o que você precisa entender é que precisa decidir - o que faz de si mesmo e o que faz com o que "os outros" e o mundo fazem de você.
Sartre diz que é isso que é o ser humano.
A existência precede a essência.
Não somos seres determinados.
Fazemos as nossas escolhas, trilhamos nossos caminhos, mas se estas escolhas e estes caminhos, em algum momento, parecerem incertos, temos a liberdade de mudá-los.

Se você se queixa e não faz nada para mudar tal questão que te incomoda tanto, você se torna passivo diante da queixa, ao mesmo tempo em que é ativo no fato de não querer mudar, mesmo sendo infeliz (escolhe esta opção).

O que você anda fazendo de si?

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Ps: não sigo a linha existencialista, e é provavel que não siga mesmo quando me formar, mas há algumas idéias e alguns autores como
Sartre que admiro bastante!

Ps²: O mundo perdeu um grande escritor esta semana, José Saramago. É uma pena que pessoas como ele não sejam imortais...

Ps³: Estou de férias! ;P

BeijO


"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam.
E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa.
Quando o visitante sentou na areia da praia e disse:
“Não há mais o que ver”, saiba que não era assim.
O fim de uma viagem é apenas o começo de outra.
É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava.
É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles.
É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

[José Saramago]

6 comentários:

HM disse...

"Qual a ua participação na desordem da qual você se queixa?" (frase 1);

"o ser humano está condenado a ser livre" (frase 2)


conclusão: há muitas pessoas que responderiam a pergunta assim (se sinceras forem): recorri da sentença...e fui absolvido

RaH disse...

Recorreu da sentença e foi absolvido.. Ok. É livre para isso. Continua se queixando? A questão é essa. A frase 1 diz sobre o quanto você está implicado uma coisa que está te incomodando. Se uma coisa te incomoda e você se mantém passivo diante dela, se não usa da sua liberdade de escolhas, se não "muda seu rumo", você está "co-participando" de tal desordem, de tal coisa.
Não adianta reclamar e permanecer estático, de braços cruzados, não é?

Obrigado pela visita!

Renata Bezerra disse...

De ler e pensar. Muito.

Beijo pra ti, Rah.

Desabafando disse...

Ah, acho que muita gente entra no comodismo e passa anos e anos reclamando dos mesmos problemas e situações, mostrando que não aceita e que não está bem mas tampouco fazem algo para mudar isso. Como se apenas se queixar resolvesse algumas coisas mas será que no fundo as pessoas não se fazem de vítimas e não desejam que os outros as consolem? Será que no fundo elas não gostam do sofrimento e da dor porque assim recebem afeto e atenção? Então além do medo da mudança há o apego a dor. Acho que há muitos casos que se enquadrariam nisso. Eu já tentei me acomodar em situações ruins e ganhei uma bela depressão em função disso...rsrsrs...até que resolvi jogar tudo pro alto e mudar e descobrir o que eu queria. Foi difícil e continua sendo difícil sair da sua zona de conforto e se arriscar em coisas novas mas foi com essa liberdade que estou encontrando formas de ser feliz, e ando a cada dia melhor.

Me chamou muita atenção a frase inicial da imagem! Concordo totalmente com ela!

Amanda disse...

Sobre o meu caos eu tenho total participação e a muito perdi o controle. rs.

Belo post Rah, estava com saudades de vir aqui. Mudei de endereço e divulguei o novo blog para poucos amigos. Fique a vontade para passar por lá também.
545blogs-inuteis.blogspot.com

Beijos, se cuida :]

Grafite disse...

'A liberdade é o espaço que a felicidade precisa"
lindoooo demais!

beiijo,
*.*

adorei aqui, seguindo... :D