02/06/2011

Pela metade


Tenho muito amor dentro de mim para dar..
Mas nunca sei até quanto desse amor eu devo permitir que se manifeste em sua essência.
Depois de ter quebrado a cara tantas vezes , de ter me doado tanto, de ter me entregado tanto sem ter recebido em troca, acho que desaprendi.
Não sei se posso dizer assim, que desaprendi.
Mas acho que é isso.
Eu vivo com esse medo.
De não ser correspondida.
E por isso vou com um pé atrás, com armaduras e escudos em mãos.
Porque sou gato escaldado.
Não quero me molhar mais.
Não quero mais algo de mão única.
Preciso de mão dupla.
De vai e volta.
De reciprocidade.
De cumplicidade.

Quando eu gosto, gosto de verdade.
Vou fundo, de cabeça, por inteiro.
E é assim que desejo que seja.

Não quero nada pela metade.
Se não puder ser inteiro, não seja aos pedaços.
Pois aos pedaços é sofrer aos poucos.
E sofrer aos poucos dói ainda mais.

Demora a passar.
É como arrancar um dente. A gente tem que arrancar de uma só vez.
Não deixar que ele fique ali, doendo.

Amar pela metade é o mesmo que não amar.
Odiar pela metade é o mesmo que não odiar.

Tudo que é pela metade não tem a menor graça.
Não vale a pena.

Não seja pela metade.
Seja inteiro.

Se permita...

2 comentários:

Desabafando disse...

nossa...vc nao sabe como me identifiquei com vc agora! :-)

Lua disse...

Nossa, fiquei sem palavras, o poema é muito lindo e eu também me identifiquei. Até roubei um verso pra subnick de msn, mas não se preocupe que eu dou direitos autorais!
Beijos